Embora as empresas europeias pretendam acelerar a transformação digital, o seu investimento mais lento em inovação pode não permitir alcançar empresas dos EUA e da China.
Lisboa, 10 de agosto de 2020: Segundo o último estudo da Accenture, dois terços (66%) dos líderes empresariais em todo o mundo mostram-se otimistas e acreditam na rápida recuperação do mercado europeu face à crise económica causada pela pandemia da COVID-19.
O relatório, intitulado "Bold Moves in Tough Times” revela que aproximadamente três em cada 10 entrevistados (29%) esperam que a recuperação da Europa seja bastante rápida e em V, enquanto 37% dos inquiridos preveem que seja mais lenta mas constante, em U, nos próximos 12 meses. Este estudo da Accenture tem por base uma pesquisa feita com quase 500 executivos de nível C na Europa, América do Norte e Ásia-Pacífico, provenientes de 15 setores.
O setor mais otimista é o da Saúde, com 34% dos líderes empresariais a esperar um aumento da procura na Europa como resultado da pandemia. O segundo setor mais positivo é o de comunicações, media e entretenimento, com 52% dos entrevistados a prever uma recuperação em forma de V nos seus mercados europeus, uma perspetiva partilhada por 47% dos inquiridos do setor dos seguros. No outro extremo do espectro estão os setores automóvel e da aviação, turismo e transporte, com apenas 7% e 12% dos entrevistados, respetivamente, a esperar uma recuperação célere da economia europeia.
O relatório da Accenture também realça a partilha de expectativas sobre uma recuperação mais veloz das economias alemã, nórdica e britânica, seguidas por França, Espanha e Itália. Os líderes empresariais europeus estão ainda otimistas em relação à competitividade da Europa, com quatro em cada 10 entrevistados (39%) a acreditar que as empresas europeias serão mais competitivas em relação aos seus pares nos EUA do que eram antes da crise. Quando comparadas às empresas chinesas, 43% dos inquiridos referiu acreditar na maior competitividade das empresas europeias.
Tal como refere Jean-Marc Ollagnier, CEO da Accenture na Europa, “a confiança é crítica no ambiente económico atual, que ainda se mostra volátil e incerto". ParaJean-Marc, este otimismo em relação à recuperação económica e à competitividade da Europa “oferece às empresas europeias uma oportunidade única de reforçar sua liderança e de diminuir a distância em relação aos seus concorrentes americanos e asiáticos. No entanto, esta meta dependerá das ações inovadoras que surgirem como reflexo desse otimismo. O maior risco é de que os líderes empresariais europeus confiem demasiado no apoio do governo, permaneçam na defensiva e não invistam na inovação, que muda paradigmas – porque a concorrência global não vai esperar.
O estudo da Accenture indica que existe o risco dos executivos europeus serem excessivamente cautelosos em relação à forma como se preparam para a recuperação, em comparação com os da América do Norte e Ásia-Pacífico. Especificamente, os executivos europeus aparentam:
  • Foco na inovação incremental, em vez de revolucionária: mais da metade (53%) dos entrevistados europeus assumiram uma diminuição dos investimentos em inovação, afirmando que não vão relançar nenhuma iniciativa nos próximos seis meses, em comparação com 33% dos entrevistados na América do Norte e 49% na região Ásia-Pacífico.
  • Investimento insuficiente no futuro dos negócios: na Europa, apenas uma em sete empresas (16%) apresenta investimentos em iniciativas que permitam uma maior agilidade para a recuperação, em comparação com uma em cada quatro (25%) na Ásia-Pacífico e uma em três (34 %) na América do Norte.
  • Menor probabilidade de colaborar em prol da recuperação: Os líderes de negócio na Europa têm menor probabilidade de colaborar com outras empresas para mitigar o impacto da crise e acelerar a recuperação do que os da América do Norte e Ásia-Pacífico (48% dos europeus, em comparação com 53% na América do Norte e 55% na Ásia-Pacífico).
Os líderes empresariais da Europa devem começar já hoje a reinventar-se para a sobrevivência num mundo pós-COVID-19", refere o CEO da Accenture na Europa. Este é o momento para “pensar e agir de forma diferente e assumir riscos equilibrados que permitam a criação de resiliência a longo prazo. É urgente que se renovem modelos de crescimento capazes de se adaptar ao que chamamos de ‘novo normal’.
O relatório da Accenture destaca áreas críticas nas quais as empresas europeias precisam de se concentrar para diminuir ou mesmo anular a lacuna de competitividade com os seus pares norte-americanos e asiáticos. Estes fatores incluem:
  • Acelerar o ritmo de transformação digital: as empresas com recursos digitais mais avançados mostraram-se mais resilientes durante a pandemia. Estas soluções permitiram a adaptação das suas equipas para trabalho remoto, o ajuste das suas cadeias de fornecimento e adequação rápida e em grande escala a novas formas de compra. Os executivos europeus veem claramente a necessidade de aumentar a velocidade da transição digital, salientado por dois terços (63%) dos inquiridos que referiram que as suas empresas vão acelerar a transformação digital, incluindo o uso de plataformas na cloud.
  • Criar experiências para consumidores cada vez mais responsáveis: Os hábitos de compra durante o lockdown da COVID-19 levou a que os consumidores fizessem compras mais conscientes e migrassem massivamente para os canais online – uma realidade que permanecerá no mundo pós-pandemia. Neste sentido, as empresas vão precisar de fornecer uma experiência completa - que traga os clientes no início, durante o estágio de inovação, e continue com os processos de vendas e serviços. Quase dois terços (62%) dos líderes empresariais europeus, num grupo de dirigentes de indústrias de bens de consumo[i], identificam a oportunidade de se desenvolverem hábitos de compra cada vez mais orientados por critérios sociais e ambientais.
  • Aproveitar a tecnologia para reinventar o setor industrial: a COVID-19 desencadeou debates sobre a necessidade das empresas trazerem as operações de volta aos seus mercados internos. No entanto, a ‘re-localização’ pode não ser uma boa solução para o ‘renascimento industrial’ europeu. Para criar resiliência operacional de longo prazo, reinventar os seus modelos de negócios e criar novos fluxos de receita, as empresas devem aproveitar tecnologias digitais avançadas, como modelagem preditiva, gémeos digitais e computação de ponta, entre outras. Com 42% dos entrevistados europeus a planearem acelerar o investimento em transformação digital, em comparação com apenas 32% e 30% na América do Norte e na Ásia, respetivamente, há uma oportunidade para as empresas europeias assumirem a liderança no setor industrial.
A Europa está numa encruzilhada; os seus líderes de negócio podem seguir caminhos estratégicos e operacionais bem trilhados, ou podem explorar um novo caminho, baseado em inovação e tecnologia de alto potencial, numa combinação com os pontos fortes tradicionais da Europa: sustentabilidade, solidariedade e propósito", assume Jean-Marc Ollagnier  “Embora a pandemia do COVID-19 tenha sido difícil, à medida que emergimos dela, a escala e a diversidade de novas oportunidades - particularmente no setor industrial e em questões de transição energética – tornam-se claros. Chegou a hora da Europa tomar medidas ousadas e aproveitar essas oportunidades para finalmente eliminar a lacuna de competitividade.

Sobre o estudo
O estudo é baseado num inquérito realizado a 478 executivos de nível C, em 15 países e 15 setores. O inquérito foi realizado em maio de 2020 e abrange empresas com receita anual superior a US$ 500 milhões. As indústrias representadas incluem: companhias aéreas, viagens, transportes; automóvel; banca; comunicações, media, entretenimento; indústria química; bens de consumo; energia; alta tecnologia; bens e equipamentos industriais; seguros; indústria farmacêutica, serviços públicos; retalho; software e plataformas. Os países representados incluem Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, China, França, Alemanha, Itália, Japão, Luxemburgo, Holanda, Espanha, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos.